Polissonografia: o exame que monitora o seu coração enquanto você dorme

Você já acordou cansado depois de uma noite inteira de sono? Sentiu aquela sonolência pesada no meio da tarde sem explicação? Seu parceiro reclama que você ronca, para de respirar, e depois engole o ar como se estivesse sufocando?

Esses sinais têm nome, apneia do sono, e a polissonografia consegue dar esse diagnóstico enquanto você dorme.

A polissono é o exame mais completo que existe para investigar o que acontece com o seu corpo durante a noite. E pra mim como cardiologista, ela costuma revelar algo que o coração sente muito antes de você perceber.

Comparação entre respiração normal e colapso da via aérea durante o sono

O que é a polissonografia

O que a polissonografia monitora: cérebro, coração, respiração e fases do sono

A polissonografia é um exame que registra ao mesmo tempo vários sinais do seu corpo durante o sono. Atividade cerebral, movimentos dos olhos, tônus muscular, frequência cardíaca, fluxo de ar pelas narinas, esforço respiratório, nível de oxigênio no sangue e posição corporal.

O nome pode parecer complicado, mas a experiência é simples: você dorme. O exame trabalha enquanto isso.

Esses sinais juntos permitem saber se você está dormindo de verdade, qual estágio do sono você está atingindo, se a respiração está regular ou para de vez em quando, e o que acontece com o coração e o oxigênio em cada um desses momentos.

Quando o cardiologista pede esse exame

Perfis de pacientes que devem investigar apneia do sono

O cardiologista pede a polissono quando a gente suspeita de uma doença chamada apneia do sono porque a gente sabe o quanto ela prejudica o coração, o controle do peso, o controle da pressão além de muito mais, você pode saber mais sobre apneia do sono aqui.

Os principais sintomas são: parar de respirar (quem percebe isso é o parceiro de cama), pode ter ronco intenso (mas não roncar não exclui apneia ok), sonolência excessiva durante o dia, acordar com dor de cabeça ou sensação de que o sono não descansou, obesidade associada a cansaço desproporcional ao esforço, hipertensão que não controla bem mesmo com medicação e fibrilação atrial de repetição.

A apneia do sono é a condição mais comum encontrada nesses casos. E ela tem uma relação direta com o coração que muita gente não conhece.

Como o exame é feito: laboratório ou casa

Sensores usados na polissonografia para monitorar o corpo durante o sono

Existem dois tipos principais de polissonografia, e o médico escolhe qual é mais adequado para cada caso.

A polissonografia completa, realizada em laboratório do sono, é o padrão ouro. Você passa a noite em um quarto confortável, com sensores posicionados no couro cabeludo, rosto, queixo, tórax, abdome, pernas e dedo. Um técnico acompanha o registro em tempo real. Esse tipo de exame detecta não só a apneia, mas também distúrbios do movimento, parasomnias e alterações do ritmo cardíaco durante o sono. É indicado quando a suspeita é mais complexa ou quando o resultado do exame domiciliar é negativo mas a suspeita persiste.

O exame domiciliar simplificado, chamado de polissono tipo III ou HSAT (Home Sleep Apnea Test), usa menos sensores e é feito na sua própria cama. Monitora principalmente o fluxo de ar, o esforço respiratório e a oximetria. Não registra atividade cerebral, então não consegue confirmar os estágios do sono. É indicado quando a suspeita é de apneia do sono moderada a grave, sem outras condições associadas. É mais cômodo e mais acessível, mas tem limitações: um resultado negativo com alta suspeita clínica não encerra a investigação.

O tal do IAH !

Escala do IAH: apneia normal, leve, moderada e grave

O principal número que a polissonografia gera é o IAH, o Índice de Apneia-Hipopneia. Ele mede quantas vezes por hora a respiração para completamente ou cai de forma significativa durante o sono.

Menos de 5 eventos por hora é considerado normal em adultos. De 5 a 14 é apneia leve. De 15 a 29 é apneia moderada. Acima de 30 é apneia grave.

Além do IAH, o exame fornece informações sobre o nível mínimo de oxigênio que o sangue atingiu durante a noite, quanto tempo você ficou com a saturação abaixo de 90%, quantas vezes o cérebro acordou brevemente para restaurar a respiração, e a distribuição dos estágios do sono, incluindo o sono profundo e o sono REM, que são os mais reparadores.

O que acontece depois do diagnóstico

Do diagnóstico ao tratamento da apneia: CPAP, sono melhor e menos risco cardiovascular

O tratamento depende do grau da apneia e das condições associadas.

O CPAP é o tratamento mais eficaz para apneia moderada e grave. É um aparelho que sopra ar pressurizado continuamente pelas narinas durante o sono, mantendo a via aérea aberta. Quando usado adequadamente, praticamente elimina os episódios de apneia e suas consequências cardíacas. O desafio é a adaptação: cerca de metade dos pacientes tem dificuldade com o uso contínuo, mas com acompanhamento e ajuste de máscara e pressão, a maioria consegue se adaptar.

Para apneia leve ou moderada, os dispositivos intraorais de avanço mandibular são uma alternativa. São aparelhos moldados pelos dentes que avançam levemente a mandíbula durante o sono, ampliando a via aérea. Não são tão eficazes quanto o CPAP, mas têm melhor adesão.

A perda de peso é um dos tratamentos mais eficazes disponíveis. Os novos medicamentos para obesidade, como a tirzepatida, mostraram em estudos recentes reduções superiores a 50% no índice de apneia, o que os torna uma opção relevante quando a apneia e a obesidade coexistem.

Mudanças de posição durante o sono, evitar álcool e sedativos à noite, e tratar problemas nasais que dificultam a respiração também fazem parte do conjunto de medidas.

Em casos selecionados, quando o CPAP não é tolerado e a apneia é moderada a grave, existe uma opção cirúrgica: a estimulação do nervo hipoglosso, que usa um pequeno dispositivo implantado para ativar os músculos da língua durante a inspiração e manter a via aérea aberta.

Paciente usando CPAP, tratamento da apneia do sono

Aviso médico

Este conteúdo tem fins educativos e não substitui a avaliação de um médico. Não tome decisões sobre sua saúde com base apenas no que leu aqui. Se tiver dúvidas sobre seus exames ou sintomas, consulte um cardiologista. Leia nosso Aviso Médico completo.

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